Bem sabemos como a arte e a pregação do Evangelho andam juntas desde as origens cristãs. Basta ter passado por uma das catacumbas para perceber a maneira como os primeiros cristãos arranjavam imagens para representar as principais histórias bíblicas, interpretando-as à luz do mistério de Cristo. Em forma de gravuras, frescos, pinturas ou mosaicos, a Esperança Cristã desenhava uma maneira de dizer-se para além das palavras.

Ao longo dos tantos séculos do cristianismo, as paredes das igrejas e das catedrais foram-se tornando também "catecismos para os olhos", a Fé em imagens. Com pinturas, esculturas e símbolos tão variados, desde as paredes exteriores às interiores, das figuras nas colunatas e pórticos aos frescos pintados nos tectos, a bíblia e o catecismo eram representados assim para envolver os crentes na História da Revelação e, muitas vezes, para catequizar mais imediatamente tantas gerações em que a imprensa e a cultura da comunicação ainda não estava expandida como hoje, e a maior parte das pessoas, além disso, era iletrada.

É inexplicável, por isso, toda a história da arte europeia dos últimos séculos sem a referência explícita à fé. Mas, infelizmente, quisemos viver ultimamente a fé sem referência explícita à arte que nos precede. Conhecer as linguagens da iconografia cristã, os seus símbolos e processos, dá-nos novos olhares sobre a História da Salvação e enriquece a nossa entrada no mistério revelado de Cristo.

O próprio santo Afonso de Ligório, nosso fundador, consagrou a sua veia artística para o serviço da missão. Pintou quadros e desenhou gravuras (para não falarmos agora das tantas músicas que compôs) sobretudo para dois fins: os quadros, para utilizar, em grandes telas, durante as pregações, à maneira dos mais recentes "power-points", ilustrando assim através das imagens o que ia anunciando; as gravuras, para colocar nos seus inúmeros livros de espiritualidade e práticas devocionais.

Por tudo isto, a Comunidade Redentorista do Porto reservou ultimamente um expositor principal da entrada da igreja para uma introdução contínua a este mundo da Arte, Fé e Liturgia. Chamaram-lhe "Um Quadro para cada tempo".

Como o nome indica, esta iniciativa muito simples quer dar a conhecer, seguindo cada tempo litúrgico, uma obra iconográfica clássica, acompanhando-a de uma ficha de leitura para a interpretação do quadro, notas iconográficas para compreender os símbolos e notas iconológicas para contemplar o sentido e a teologia lá presentes.

Este trabalho é todo seleccionado e preparado pelo pe. Fausto Sanches Martins cssr, professor de História da Arte na Faculdade de Letras da Universidade do Porto.

Inaugurado na altura de Natal, com o Tríptico Portinari, continua agora com o Baptismo do Senhor, de Piero della Francesca.

Vários redentoristas, muitos amigos e uns quantos turistas que têm passado pela nossa igreja do Porto, pediram que estas "pregações visuais" fossem também colocadas na internet, para que pudessem continuar acompanhando.

Por isso, no site da comunidade (www.redentoristasporto.pt), já se encontra um separador com o título "Arte", em que tudo vai ficando disponível.

Para ir directamente, click aqui: http://www.redentoristasporto.pt/arte