Depois de ter ficado na Tailândia durante um mês, tenho cinco razões para odiar aquele país.
 
Passo a explicar:
 
Razão número Um
As transacções são demasiado fáceis. Tratar do meu visto demorou, no máximo, 20 minutos. Apenas respondi ao formulário, preenchi algumas informações em falta, paguei e ficou logo pronto! Entrar naquele país foi muito simples. Não houve qualquer interrogatório, ao contrário do que aconteceu quando deixei as Filipinas, onde tivemos de passar por um cansativo conjunto de perguntas e respostas. Até obter a minha autorização de trabalho não foi um grande problema. Só olharam para mim, pessoalmente, assinei uns papéis e paguei. 
 
Razão número Dois
A comida é mesmo boa. Para um exemplo de pessoa saudável como eu sou, ou pelo menos acho que sou, a Tailândia não é um bom local. Em cada esquina há uma oferta variada de iguarias esplêndidas. Alguns pratos conseguem ter todos os 5 sabores num: doce, azedo, salgado, amargo e picante. E se a comida picante é o teu ponto fraco, também podes riscar este país da tua lista. Eles têm vários graus de comida picante, desde o grau que nos coloca os cabelos em pé até ao grau tão picante que se torna impossível de consumir. Por isso, fico a suar por todos os lados sempre que estou a comer.
 
Razão número Três
Faz-me sentir em casa. O tempo, as pessoas (menos quando falam), alguns aspectos da sua cultura fazem-me sentir muito próximo de casa. Nong Khai, o sítio onde parei para escrever, é como viver em Bukidnon. Não foi nada difícil adaptar-me a este novo lugar. As pessoas também são amigáveis e acomodaram-me muito bem, caso eu precisasse de ajuda ou de assistência. No entanto, ainda estou à espera de ser mordido por um vírus de doença caseira.
 
Razão número Quatro
O seu idioma é como uma canção. Tailandês é um idioma tonal. Por isso, se Romanizarmos as suas palavras, elas passam a fazer ainda mais sentido quando as ouvimos. Caso contrário, acabamos por confundi-las. Muitas vezes, uma palavra é soletrada da mesma maneira, mas é lida de maneira diferente. Uma mudança ligeira no tom pode também alterar o significado dos teus pensamentos, que passam de inocentes para perversos. Mas mesmo para um amante da música como eu, aprender o idioma deles pode ser uma experiência que nos leva a arrancar os cabelos. Raios! Tenho muitos cabelos espigados agora.
 
Razão número Cinco
Incentivou-me a orar mais. A oração sempre foi parte integrante da minha vida enquanto religioso. Mas aqui na Tailândia, eu tive que fazer mais algumas orações extra (se é que existem orações quantificáveis)! Estudar a língua Tailandesa obriga-me a ir para a escola, que é bastante longe de casa. No início, ainda pensei que poderia ir de bicicleta até lá, mas É realmente muito longe. Assim, a única opção que me resta é ir de mota, coisa que na verdade não tenho feito no passado mais recente e neste tipo de distância. Mas como se costuma dizer: “Para grandes males, grandes remédios!”. Por isso, estive a treinar, a andar de mota, na Quarta-feira de tarde, para poder ir até à escola no dia seguinte. No meu primeiro dia a conduzir, perdi a conta de quantas décadas de Avé Marias rezei, com um Pai Nosso extra em cada entroncamento e em cada curva. Graças a Deus ainda estou inteiro. E quero continuar a estar. Obrigado, Mamã Maria!
 
 
Para já, continuo por cá. Vou para onde houver oportunidades de eu experimentar a cultura local e a sua missão e, talvez, de descobrir ainda mais razões para “odiá-los” ainda mais. Preciso de estar sempre aberto para todas as novas experiências em que me vejo envolvido, e de não ficar ansioso por poder cometer erros ou por poder ser ridicularizado. Tenho a certeza de que, ao longo do caminho, vão aparecer muitos dói-dói, situações estranhas ou até difíceis. Mas eu cheguei aqui com a mente destinada para ir para uma maratona de viagens de missão; ou uma maratoviagemissão, como eu lhe chamo. Ir com calma mas progredir com consistência e aproveitar cada oportunidade para testemunhar o Evangelho e descobrir mais sobre mim, também. Eu sei que vou encontrar estradas complicadas mas elas são o único caminho para aprender. Pensando bem, essas estradas são as que deixam uma marca duradoura. A verdade é que a minha estadia aqui faz-me odiar a Tailândia porque todas estas cinco razões não conseguem impedir-me de estar com uma alegria radiante na Terra dos Sorrisos. Shalom!
 
 
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