A festa litúrgica da Virgem Mártir Santa Eufémia decorre cada ano no dia 16 de Setembro. No seu Santuário de Penedono, a festa é precedida por uma novena preparatória que já tem uns quantos anos de tradição.

Neste ano de 2017, deu-se continuidade ao que então começou. A novena ficou ao encargo do P. Alcino Fraga, Missionário Redentorista, residente na sua comunidade do Porto. O objectivo dos dias da novena foi projectado pela equipa missionária constituída por Redentoristas de vida consagrada e por Leigos Redentoristas em formação para se tornarem Missionários Leigos do Santíssimo Redentor. Isto explica a vinda do P. Rui Santiago que assegurou a pregação dos idosos e no dia 17 na Eucaristia de encerramento das Festas. A presença dos Missionários Leigos do SSmo Redentor em formação, nossos parceiros de Missão, foi discreta e oportuna, sobretudo no dia em que se fez memória da Paixão e da morte Redentora de Jesus. No final, já dentro da Capela, intervieram e conduziram toda a assembleia a celebrar a Ressurreição do Senhor. Pelo testemunho que deram pela palavra e pelo canto fizeram vibrar a assembleia que com o coro local cantou as alegrias pascais. “É que nós não somos discípulos de um morto ilustre, mas de um Cristo Ressuscitado, Vivo e Glorioso” (P. Dário Pedroso, SJ).

Voltemos aos dias da Novena! O objectivo era fazer desses dias um tempo de EVANGELIZAÇÃO: redescobrir a pessoa de Jesus, recuperá-Lo para a nossa vida pessoal e comunitária; para responder à pergunta que Ele fez aos discípulos no caminho de Cesareia e que nos é feita a nós, seus discípulos deste tempo: “quem dizeis vós que Eu sou?”

Como pano e referencial de fundo está sempre a figura e o testemunho de vida de Eufémia de Calcedónia que pela adesão a Jesus e ao seu projecto de vida, se tornou modelo de discípulo de Jesus, testemunhando a sua fidelidade com o próprio martírio. Hoje é Santa Eufémia, Virgem Mártir de Cristo.

Partimos, então, para a “Palestina do tempo de Jesus” e seguimos no seu encalço, em momentos-chave, em que Ele se revelou, mostrou, ou foi revelado e mostrado.

 

 

Domingo – Via Sacra

Pelas 18:30 de Domingo, cerca de 70 pessoas, de todas as idades, caminharam em peregrinação orante, no espaço belíssimo e bem cuidado do Santuário de Santa Eufémia.

A própria aragem fresca, lá do alto, nos limpava os ouvidos para ouvirmos melhor o que ia sendo dito em cada uma das Catorze Estação, porque em cada uma delas estava à nossa espera um Mártir, homem ou mulher, um daqueles cujo nome sobressaiu da multidão incontável dos que SEGUEM atrás de Jesus e, por isso, também eles se dão a si mesmos. Até à vida! Até ao sangue.

 

MAS nenhuma daquelas vidas dadas estava ali para nos falar de morte. TODOS os nomeados nos falaram de uma única coisa - RESSURREIÇÃO! Ninguém dá a própria vida por um morto – POR UM RESSUSCITADO, SIM!

 

Todos aqueles mártires viveram na fé de um Deus, Pai de Jesus e Pai nosso, que não deixou que fosse posta uma pedra de esquecimento e tristeza sobre a Vida de Jesus de Nazaré, que não descansou enquanto não meteu a Sua mão de Bondade e Misericórdia na vergonha daquela morte dada por nossas mãos, para lhe dar a volta! E RESSUSCITOU Jesus, para Si e para nós, como quem diz, com todas as letras, alto e bom som, “É ASSIM QUE SE VIVE!”

 

É ASSIM que se vive dizem as vidas de TANTOS, hoje mesmo, pelos quatro cantos do mundo, onde, ser de Jesus, seguir-lhe a Vida e as pegadas não é coisa fácil. Temos notícias…

No Final, já na Igreja, isto foi redito, agora com palavras entusiasmadas e simples, por um dos Missionários Leigos do Santíssimo Redentor, em formação, que vieram do Porto, companheiros do Missionário Redentorista, pregador deste ano.

E o ALLELU’YA brotou forte e fundo, do coração de todos.

Porque Deus DISSE! E Jesus está Vivo! Activo! Entre nós! ALLELU’YA!

 

 

As festas conhecem-se pelas vésperas…

Como já foi referido, esta começou 9 dias antes, no dia 7 de setembro com a novena e a celebração às 18h30. De todos os lados foram começando a aparecer pessoas, ora de carro, ora a pé, ora mais velhas, ora mais novas e iam-se cumprimentando e saudando numa fraternidade visível. O coro ia ensaiando alguns acordes e afinando vozes. Tudo se preparava e se compunha para o início da celebração.

 

O Evangelho anuncia-nos que Jesus é baptizado. Que o próprio Jesus nasceu de novo e Deus o assumiu como seu Filho. O pregador sublinha esta filiação, extensível a todos nós. Começa um percurso com Jesus, centrado na sua humanidade. No dia seguinte, o Evangelho levou-nos ao deserto, ao lugar de discernimento e opção de Jesus. A opção pelo que tem futuro. E o percurso foi continuando ao longo da semana, todos os dias, descobrindo os traços deste Homem Jesus onde também St Eufémia foi beber a sua Fé.

 

Quarta-feira – A peregrinação da Terceira idade…

O programa indicava que, na 4ª feira, dia 13/9/2017, o Santuário de Santa Eufémia, em Penedono, conheceria uma peregrinação da terceira idade.

Deslocámo-nos para o espaço arborizado junto do Santuário, arranjado ao jeito de parque de merendas, onde se celebraria a missa campal, e aí ficámos literalmente de boca aberta de espanto. Eram muito mais de seiscentos idosos, acompanhados de pessoas que delas cuidam nas instituições. Estas, de vários concelhos próximos de Penedono, eram trinta e nove.

Foi uma celebração memorável. Presidida pelo Padre Luciano, teve como concelebrantes os missionários redentoristas Padre Alcino Fraga e Padre Rui Santiago, que souberam dirigir as palavras mais oportunas e adequadas que a circunstância exigia, fossem as de fraterno acolhimento e de alegria pelo momento, como as que foram dirigidas pelo Padre Alcino, fossem as catequéticas que couberam ao Padre Rui .

Na homilia, ou na pregação como por ali se usa chamar, o Padre Rui Santiago conseguiu captar a atenção da assembleia e levar as palavras do Evangelho ao coração das pessoas, usando a experiência das suas vidas e o trabalho cuidado das videiras para, com essas metáforas, melhor se entender o que Jesus ensinava aos seus discípulos.

A seguir à celebração houve um lanche partilhado que foi um momento riquíssimo de contacto humano.

Quanta alegria naquelas vidas tão vividas …?!

Quanta força e vontade de viver, apesar das dificuldades que idade provoca …?!

Quanto carinho e dedicação dos cuidadores …?!

Quanto perfume de amor fraterno se respirou nesta tarde …?!

Quanta vontade sentiram os missionários redentoristas, consagrados e leigos, de voltarem a este local de missão …?!

Os muitos presentes, expressamente, manifestaram o desejo que os redentoristas lá voltassem.

Ali a MISSÃO aconteceu e pode voltar a acontecer.

 

Eucaristia de Sexta-feira à noite o começo da festa…

Pelas 21H entravamos nas festividades de St. Eufémia com uma Eucaristia na esplanada do santuário. Mais um grande momento celebrativo, e nem o frio afastou os peregrinos, ali se detiveram encantados com a pregação deste Missionário Redentorista.

Desta vez a pregação incidiu sobre a necessidade de nos tornarmos comunidades vivas pois ninguém consegue chegar a uma Fé fecunda sozinho. Só com os outros é que nos entendemos encanto pessoas. St. Eufémia não era diferente, a perseverança que lhe conhecemos resultou da vida comunitária que tinha. Sim, ela tinha companheiros, amigos e juntos formavam uma comunidade de cristãos. Só assim faz sentido, só assim é possível suportar os momentos de sofrimento a que se sujeitam todos os mártires. Só assim Jesus se entendia. Não é por acaso que Ele próprio antes de começar a sua vida missionária chama uns quantos (dizem que eram 12) e formou uma comunidade de discípulos para o acompanhar.

 

 

Sábado, o grande dia da festa chegou…

Nem a hora matutina, nem o frio matinal afastou os peregrinos do Santuário, onde pelas 9h30 se celebrou a Eucaristia. O recinto ia-se compondo, as vozes dos feirantes iam-se silenciando para dar lugar à Palavra proclamada e ao louvor da assembleia. A Eucaristia foi presidida pelo pe. Luciano, e a pregação ficou a cargo do pe. Fraga cssr que deu testemunho de Jesus, verdadeiro Homem e verdadeiro Deus, e falou da inspiração de Santa Eufémia, na importante proclamação dogmática da divindade e humanidade de Jesus, qual bússola que nunca deixa de apontar para o Norte.

A seguir à celebração, as vozes da feira elevaram-se e muita gente para lá se dirigiu. Mas não toda, claro! O santuário, enfeitado e acolhendo uma dúzia de andores preparadinhos para sair em procissão, foi-se enchendo de peregrinos.

Entre as 11h e as 12h, houve espaço para confissões, e alguns peregrinos encaminharam-se para o abraço perdoador e misericordioso do Pai de Jesus que sempre acolhe quem para ele corre.

A seguir ao almoço, um santuário “à pinha” acolheu o Bispo emérito de Lamego que veio presidir à grande celebração da festa. De diapasão afinadíssimo para Jesus, lembrou sem cessar o caminho das Bem-aventuranças como caminho de santidade e fez o apelo para que sempre nos aproximemos mais e mais da Palavra de Deus que nos releva o Rosto límpido de Jesus. Citando o Papa Francisco, lembrou os peregrinos de duas tentações igualmente perigosas: uma cruz sem Cristo, que transforma a vivência jubilosa da fé numa via-sacra constante; e um Cristo sem cruz, que nos demite da aproximação dos pobres, dos que sofrem, e daqueles com quem o próprio Cristo se quis identificar.

Seguiu-se a procissão. O Bispo tinha dado o mote: “façamos da procissão um sinal de seguimento de Jesus. Vamos atrás dele, como vai a Virgem Mártir Santa Eufémia e todos os santos. E num ambiente festivo de uma procissão, possamos encontrar também o silêncio necessário para a meditação”. E assim foi! Até ao recolher do último andor!

E a festa lá continuou. A feira voltou a encher-se de gente. A fanfarra tocou, e a banda encantou, num belo concerto, às 21h30. E o grande dia da festa não se deu por findo sem o fogo de artifício. Pois, festa que é festa não se faz dentro de portas, tem que dar a saber a toda a vizinhança que estamos em festa. Venham. Alegrem-se connosco. Estamos em festa. E temos motivos para isso!

 

Já é Domingo? Nem queriam acreditar…

Foram dias intensos estes vividos no cimo deste monte. Tal como o pregador Pe. Alcino foi reforçando, na bíblia as coisas importantes são “ditas” por Deus no cimo do monte. O cimo do monte é lugar de encontro com Ele. Veja-se que é no cimo do monte que acontece o relato da transfiguração de Jesus e é no cimo do monte que Jesus nos entrega o tesouro das bem-aventuranças (o conhecido sermão da montanha). E que bem que se estava ali… A tentação de montar ali as tendas e permanecer é muito grande.

 

Mas somos cristãos batizados e por isso temos um mandato de missão. Temos de ir… o mundo precisa! E foi pelas 4 da tarde (hora dos grandes chamamentos) que se celebrou a Eucaristia do envio… Não chamemos Eucaristia do encerramento, mas Eucaristia do envio! Porque na vida de um cristão não há lugar para encerramentos, mas sim para nascer de novo e para abertura constante aos outros. O pregador redentorista Pe. Rui Santiago, companheiro de missão do Pe. Alcino Fraga, não podia dar melhor notícia para quem se prepara para ir: “A misericórdia de Deus é abundante…” Mas abundante quanto? Na bíblia fala em 70x7 vezes que quer dizer SEMPRE! Esta boa notícia é ao mesmo tempo um desafio. E o pregador deixou bem claro: “sou mais livre quanto mais consigo perdoar o meu irmão”.

 

E nada melhor para um envio do que nos colocarmos atrás Dele, de Stª Eufémia e de todos os Santos que por Ele viveram. Foi o momento da procissão. Era o momento de partir cada um para a sua terra, para sua casa para o seu trabalho… centenas de pessoas que subiram aquele monte era agora a hora de voltar… voltavam aos mesmos lugares, mas nenhum daqueles ia igual porque é no cimo do monte que acontecem as grandes mudanças…