Assim como a respiração é fundamental para podermos viver, do mesmo modo a oração é essencial para podermos crescer na vida espiritual. São Paulo diz que é preciso orar sem cessar, dando constantemente graças a Deus. Escreveu isto no final da carta que escreveu aos cristãos de Tessalónica (1Ts 5, 16-18), quando lhes transmitiu a “santíssima trindade” das virtudes espirituais: “Alegrai-vos sempre, orai sem cessar, em tudo dai graças!”

 

Não diz simplesmente “andai sempre alegres”, o que seria um mandamento ingénuo, porque não é possível uma coisa dessas. O Apóstolo não fala da alegria como “sentimento” mas da alegria como opção! Por isso, a Alegria é o verbo da frase - “ALEGRAI-VOS SEMPRE” - porque é acção (assim está no original grego, mas não na maior parte das traduções em português, infelizmente). Em todo o tempo e lugar, optar pela Alegria, escolher pela Alegria e não pela melancolia. Este tipo de opção só está ao alcance de quem tem uma boa saúde espiritual, porque a Alegria é um dos frutos do Espírito de Deus (“os frutos dos Espírito são estes: amor, alegria, paz…” Gal 5, 22)

 

ORAI SEM CESSAR não quer dizer estar sempre “a rezar”. Usando a linguagem das comunicações - porque também é isso a oração - orar sem cessar não significa estar sempre a “telefonar para Deus” mas manter-se sempre com rede. Assim se torna possível partilharmos a vida da mesma maneira como fazemos com os nossos amigos: a quem gostamos damos sinais disso. Comunicamos. Orar sem cessar é o desafio de viver na presença de Deus e procurar em tudo dar-Lhe gosto e alegria. Esta conversa é estranhíssima para quem Deus é algo longínquo ou alguém difícil. Mas a verdade é que Jesus garantiu-nos que podemos viver dentro do Amor do Pai, como filhos muito amados e perdoados; podemos viver na companhia do Filho como irmãos muito queridos e escolhidos para entrarem na sua intimidade; podemos viver no Espírito dos dois, envolvidos pela ternura que se dedicam um ao outro e que transborda para nós, porque “o Amor de Deus foi derramado nos nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado” (Rom 5, 5). Jesus abriu-nos a revelação de tudo isto, e convida-nos a entrar com ele na bondade e amabilidade de Deus.

 

Da mesma maneira, EM TUDO DAI GRAÇAS é optar sempre pela Gratidão como atitude existencial. A verdade é que a Graça tem sempre a iniciativa da vida e a primazia de toda a bondade que percorre o mundo e o mantém de pé, apesar de todas as nossas agressões. Optar pela Gratidão, em todo o tempo e lugar, implica trabalhar interiormente o coração para perscrutar os tantos vestígios que a Graça deixa na nossa vida. Deus deixa atrás de Si um rasto de bondade e de paz (Sl 85, 9-14), e edificar a vida na Gratidão coincide com dar caminhos à Esperança. A ingratidão é gerada pelo pessimismo e, por isso, é uma verdade fraudulenta. Porque o pessimismo, pior que uma meia-verdade, é a verdade deturpada pela arrogância e pelo medo. 

 

Santo Afonso de Ligório, fundador dos Missionários Redentoristas (em 1732), era apaixonado pela expressão “Dever de Gratidão”. Dizia que nós devemos obediência a Jesus, não por um dever de tipo jurídico ou funcional, mas porque ele nos deixou, na maneira como manifestou amar-nos, um “Dever de Gratidão”. Devemos-lhe obediência porque “amor com amor se paga” e assumir a Gratidão como maneira de viver salva-nos do egoísmo, da frustração e do desespero. 

 

 

O nosso Deus é um Deus amável! 

 

Não é uma grande notícia? 

Pode ser amado por nós! Gosta e quer isso, como é de esperar de um Pai bom e leal como Ele é para nós.

 

 

 

Calmeiro Matias & Rui Santiago