Movido exclusivamente por um sonho de amor, Deus decidiu criar o Universo como uma génese evolutiva. A Criação é uma Evolução animada pelo Amor de Deus e pela Esperança que deposita em nós. Criou as estrelas e os planetas, entre os quais a nossa terra. Da terra fez emergir a imensa variedade de plantas com as suas flores e frutos. Criou as aves do céu, os animais domésticos, bem como os répteis e os animais selvagens. E criou os oceanos, a fim de serem o berço da vida.

 

Mas era em nós que Deus estava a pensar quando criou todas estas maravilhas. A obra-prima de Deus, a menina dos seus olhos, é a Humanidade! Encantado com a sua obra, Deus olhou-nos com uma ternura infinita e deu-nos o beijo primordial graças ao qual o hálito da vida, isto é, o Espírito Santo, passa a habitar no nosso íntimo (Gn 2, 7).

 

Todas as coisas que Deus criou têm sentido e razão de existir. Com efeito, a Criação não é um brinquedo para Deus se divertir, mas um projecto em marcha cujo princípio dinamizador é o próprio amor do Deus Criador.  

 

Ao criar o Universo, Deus pensou em nós. Esta é uma das maravilhas às quais nos abre a nossa Fé: fazemos parte do Diálogo Amoroso de Deus. Acreditamos que Deus é Comunidade Familiar: o Pai, o Filho e o Espírito dos dois, ponto de encontro e doação. A Santíssima Trindade é este Mistério Familiar centrado no dinamismo da Doação: o Amante, o Amado e o Amor, que são uma bonita maneira de chamar ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo engendrada por Santo Agostinho. Deste diálogo que é a Santíssima Trindade fazemos parte nós. Somos assunto de conversa entre o Pai e o Filho, e o Espírito de Deus sonda-nos e conhece-nos. É saboroso meditar, nesta perspectiva, o capítulo 17 do evangelho de João, aquele diálogo orante de Jesus com o Pai, em que os dois conversam sobre nós.

 

O Espírito Santo tem um jeito maternal de amar, e com esse jeito nos conduz ao Pai, que nos acolhe como filhos, e nos conduz ao Filho, que nos acolhe como irmãos. São Paulo diz que o Espírito Santo é o Amor de Deus derramado nos nossos corações (Rm 5, 5).  Depois acrescenta que é por ele que nós somos introduzidos na família de Deus (Rm 8, 14-17).

 

Deus quer que sejamos membros da Sua Família, e nisso estava a pensar quando começou a criar-nos, porque nos criou e nos amou muito antes de O podermos conhecer e amar! E, em Jesus, manifestou que, de facto, nos ama sempre primeiro, e não está á espera que sejam bons para nos amar, mas nos ama assim mesmo, gratuitamente, e por decisão Sua. 

 

Pelo Espírito Santo que nos foi dado, Deus vai-nos chamando no dia-a-dia da nossa vida a amar os irmãos, a fim de sermos uns para os outros o prolongamento do amor de Deus. É este o modo de Deus nos criar à sua imagem e semelhança, configurando-nos com o seu Filho Jesus Cristo.

 

O Espírito Santo é o segredo de Deus, a Intimidade Trinitária. Por isso, é nesse Espírito que a revelação acontece e os segredos nos são contados. É este Espírito, o de Jesus, que revela ao nosso coração o jeito de Deus ser nosso Pai:

 

Pai justo e amoroso,

Pai misericordioso e paciente,

Pai amável e solícito,

Pai acolhedor e sempre disposto a perdoar,

Pai fiel aos valores da Verdade, da Justiça e do Amor.,

Pai responsável, protector, atento e amigo.

 

E o Espírito Santo é a ternura maternal deste Pai!

 

 

Calmeiro Matias & Rui Santiago