Para termos um coração parecido com o de Jesus precisamos de cultivar a amabilidade. A amabilidade tira força à agressividade dos outros e gera em nós capacidades para absorver a violência sem nos tornarmos violentos. No momento em que alguém esteja a ser agressivo para nós, se procurarmos ser amáveis e serenos ficaremos espantados com a força da mansidão.

 

Para termos um coração semelhante ao de Jesus é fundamental ouvir os outros e procurar compreender os sentimentos e ideias que eles querem comunicar-nos.

 

Para termos um coração parecido com o de Jesus, devemos cultivar a lealdade em relação às outras pessoas, sobretudo sabendo guardar segredo sobre o que elas nos comunicam. Só assim merecemos que elas nos comuniquem o mais íntimo de si.

 

É importante saber valorizar as coisas que as outras pessoas fazem e prestar atenção às suas etapas de crescimento. Lembremo-nos sempre que não há crescimento sem crises, de modo a não sermos juízes de ninguém nem nos comportarmos como tiranos. De igual modo, lembrar que não há crescimento sem crises ajuda-nos a encontrar lugares de paz dentro de nós nas horas em que chega a nossa vez, para avançarmos sem angústia nem culpabilidades.

 

Procuremos edificar a fraternidade em relações assentes na verdade e na autenticidade. Para termos um coração como o de Jesus é importante tomarmos a sério as amizades. Deus também nos toma a sério e pede-nos que sejamos autênticos uns com os outros. Ser autêntico não é essa baboseira de gente infantil segundo a qual “as verdades são para ser ditas” ou “vou-te dizer as verdades todas”, mas sim ser verdadeiro com o outro e relacionar-se com ele em verdade e lealdade.

 

Tomemos sempre atenção a isto, porque a nossa mente às vezes é manhosa: as coisas boas que as outras pessoas fazem, não deixam de ser boas só porque não foram feitas por nós! Admirar o que os outros fazem bem e agradecer-lhes é uma fonte de paz e felicidade.

 

É bom aprendermos a estar atentos aos outros de maneira a percebermos quando é útil e válido falar com alguém sobre algum assunto delicado. Do mesmo modo, exercitemos a sabedoria de nos calarmos quando sentimos que as palavras não vão ajudar.

 

Devemos aprender a não dizer de alguém alguma coisa que não disséssemos se essa pessoa estivesse presente. 

 

É importante compreender e olhar com respeito a história das outras pessoas, a fim de compreender melhor as suas atitudes e comportamentos. É importante olhar com as lentes da fé para as pessoas, e não esquecer que somos todos um mistério ainda não desvelado nem compreendido inteiramente.

 

Lembremo-nos de proceder de modo a que os outros dêem graças a Deus por nos terem encontrado na vida. Que ninguém fique mais triste ou mais pobre por nos ter conhecido. Na verdade os outros são um dom divino para nós, um Presente do Bom Deus, porque ninguém se pode cumprir sozinho.

 

Precisamos de redizer isto todos os dias, até se tornar em nós um olhar espontâneo e natural sobre as outras pessoas: “São irmãos que Deus me dá e são amados infinitamente por Ele. Isto é suficiente para lhes querer bem.”

 

Às vezes, gastamos energia espiritual em doses industriais com ressentimentos. Giramos de modo obsessivo em redor dos defeitos dos outros, mesmo quando conseguimos reconhecer as suas qualidade. Que tal tentar exercitar-se no inverso? Procuremos girar em redor das qualidades dos outros, apesar de reconhecermos os seus defeitos. Não é um jogo de palavras! É uma “proposta de treino espiritual” capaz de mudar radicalmente o estilo da nossa vida.

 

 

Calmeiro Matias & Rui Santiago