Imitar Jesus Cristo é uma opção de vida que exige um grande dinamismo. Supõe identificar-se com os critérios de Jesus e entrar no jeito de viver de Jesus, mas como pessoas do nosso tempo. Só conseguiremos ser verdadeiros imitadores de Jesus de Nazaré se formos pessoas livres e criativas. Além disso exige uma grande atenção à Palavra de Deus e ao Espírito Santo que nos interpela no mais íntimo do nosso coração.

 

A fidelidade só é madura quando é criativa. Imitar Jesus é perguntar diante de cada situação: “O que é que Jesus faria, aqui e agora?” Esta pergunta só pode funcionar dentro de nó se formos pessoas fieis aos encontros com ele, assíduos no diálogo com Jesus e na meditação da Palavra de Deus. Se não existir em nós esse ritmo espiritual, as respostas que encontrarmos vão ser unicamente fruto da nossa imaginação ou projecções pessoais. Para perguntarmos seriamente “O que é que Jesus faria, aqui e agora?” temos de prezar a convivência com Jesus e alimentar o fascínio por ele. Na verdade, nada nos assemelha mais a alguém do que a convivência com essa pessoa, e nada nos transforma mais que o fascínio por alguém.

 

Imitar Jesus Cristo não é uma questão teórica de adesão a doutrinas ou sistemas morais. Bem mais sério que tudo isso, implica uma opção de vida nova, pois não podemos ser fieis às interpelações do Espírito Santo se não estivermos disponíveis para acolher a novidade de Deus com as mudanças que isso implica. Passar a viver pelo guião da vida de outro, esse tal Nazareno que anunciou um Deus que Reina, e viveu como súbdito tão fiel desse Reinado e filho tão amado desse Deus!

 

Se nos deixarmos conduzir pelo Espírito de Cristo, começamos a tomar uma série de atitudes que, sem serem uma cópia das de Jesus quanto ao modo, são idênticas às de Jesus quanto à dinâmica do amor libertador. A imitação de Cristo, exercitada em cada dia da nossa vida, conduz-nos a uma grande maturidade cristã, o que implica uma profunda experiência da presença de Deus. 

 

Imitar Jesus é caminhar no sentido de uma experiência de tipo familiar, tanto em relação a Deus como em relação às outras pessoas. O caminho da imitação de Cristo conduz-nos ao encontro de um homem cujo coração é o ponto de encontro da Humanidade com a Divindade, quer dizer, alguém em quem se exprime o melhor de Deus e o melhor do Homem.

 

A imitação de Cristo conduz-nos a uma enorme capacidade de correr riscos com confiança e humildade. Esta capacidade é um dom que o Espírito Santo concede apenas às pessoas com capacidade de sonhar um mundo novo e melhor. Acontece apenas às pessoas que estão dispostas a mudar, tal como aconteceu com Zaqueu (Lc 19, 1-10).

 

Imitar Jesus de Nazaré é tomar Deus e o Homem a sério. Cultivar uma atenção muito especial em relação aos outros, sintonizando com o que estão a viver nesse momento. Imitar Jesus é também assumir a defesa incondicional da dignidade da pessoa humana, que é a menina dos olhos de Deus. O amor de Deus pelas pessoas é tão grande que nem o pecado do Homem o consegue anular, como Jesus diz nos evangelhos (cf. Lc 7, 36-50). 

 

Jesus  mostra-nos bem que o Amor é a única razão válida tanto para viver como para morrer: “É este o meu mandamento: que vos ameis uns aos outros como eu vos amei. Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida pelos seus amigos” (Jo 15, 12-14). Só o amor confere validade à vida, bem como aos cultos, sacrifícios e orações (1 Cor 13, 1-13). Quanto mais imitamos Jesus, mais a nossa vida se vai configurando com a vida de Jesus, porque a pessoa faz-se fazendo. Na verdade, nós moldamo-nos interiormente através de gestos concretos que decidimos realizar. No que fazemos e na maneira como fazemos, fazemo-nos a nós mesmos.

 

E, acima de tudo, fica a intuição do Apóstolo Paulo: a imitação de Cristo leva-nos a “completar em nós a paixão de Cristo” (Col 1, 24), isto é, a apaixonarmo-nos pelas mesmas causas pelas quais Jesus se apaixonou e a entregarmo-nos com a mesma valentia à Esperança que lhe mereceu a vida.

 

 

 

Calmeiro Matias & Rui Santiago