Através do seu jeito de actuar, Jesus Cristo revelou-nos um Deus apaixonado pelo Ser Humano. Por isso ele pode dizer “Quem me vê, vê o Pai” (Jo 14, 9), de tal maneira que nós entendemos quem Deus é por vermos como Jesus faz. 

 

Jesus é todo de Deus, e Deus - afinal! - é todo à Jesus. O Deus que Se revela em Jesus é o Deus que é como Jesus. O Pai identifica-se no Filho, reconhece-se: tal Pai, tal Filho. Jesus é, não só o Filho que sai do Pai, para vir ao mundo, mas o Filho que sai ao Pai, e o dá a conhecer.

 

A motivação fundamental que presidia às suas decisões, era realizar a vontade de seu Pai e dar-lhe gosto, como o evangelho de João conta tantas vezes: “O meu alimento é fazer a vontade do Pai que me enviou e realizar a sua obra (Jo 4, 34). Ou, por outras palavras: “Não procuro a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou” (Jo 5, 30).

 

Para significar esta união de vontades entre Jesus e o Pai, o evangelho de João diz: “Eu e o Pai somos Um” (Jo 10, 30). Isto não é uma matemática. Não serve para dizer “quantos são” mas sim como se dão! Quer dizer que o jeito de Jesus amar era em tudo semelhante à maneira de amar de Deus Pai.

 

Amar ao jeito de Deus significa tornar-se capaz de uma entrega que ultrapassa a “distância de segurança” e a fronteira da autoprotecção. Amar ao jeito de Deus é - foi Jesus que ensinou! - fazer da vida toda o gesto de Partir o Pão e de Brindar  com o Vinho da Esperança: “Em verdade vos digo que não voltarei a beber do fruto da videira até que chegue o Reino de Deus” (Lc 22, 18) Amar ao jeito de Deus é querer bem a todos sem distinção. 

Porque Deus nos sonha e nos cria à Sua Imagem e Semelhança, a nossa vida tem o dinamismo de uma Vocação. A Vocação é a de amarmos assim desta maneira, como somos amados. Deus é um Criador Bom e Leal, por isso cria a pessoa humana com esta capacidade maravilhosa de amar assim, e com este desejo vital de ser amada. Estamos feitos para querer bem aos outros e ajudá-los a ser felizes. Por isso é que, quando isto não funciona por algum motivo, nos sentimos tristes e deprimidos. 

Ser cristão lança-nos um novo desafio, que nasce do privilégio enorme que é ter a possibilidade de conhecer Jesus. Este desafio/privilégio é amar como Jesus. Foi o único mandamento que nos deixou, e é o referencial para entrarmos no espírito de todo o Evangelho: “Amai-vos uns aos outros COMO EU vos amei” (Jo 15)

Deste mandamento nasce tudo o resto que houver a dizer e a fazer para pôr mãos à obra do Reino de Deus. Aquele “como eu” marca um estilo, uma medida e um projecto. É só “um mandamento”, até parece pouco, mas implica a adesão ao ESTILO de Jesus na sua maneira de estar com Deus e com as pessoas, sobretudo as que não contavam para ninguém; implica a adesão à MEDIDA de Jesus que era um exagero de bondade e liberdade e alguém que não se preservou a si próprio, mesmo quando o que estava em causa eram ameaças de morte violenta; implica a adesão a um PROJECTO que era o motivo e a meta do seu jeito de amar as pessoas: o Reino de Deus ou, com palavras perguntadeiras, “o que acontece quando Deus Reina?”

Esta é que é sempre a pergunta, se quisermos “viver como Deus manda”: o que acontece quando Deus Reina? Jesus fazia a pergunta e tornava-se resposta, porque não anunciava este Reinado de Deus como utopia mas como realidade concreta à qual já é possível aderir e Boa Notícia que podemos acolher.

 

Calmeiro Matias & Rui Santiago