Os primeiros discípulos de Jesus não tinham aspecto de filósofos nem linguagem de mestres do saber. Não pensavam nem falavam como os Doutores da Lei ou como os Rabis que tinham escolas teológicas na cidade de Jerusalém. Eram gente simples e ligeira, quase todos do Norte, da Galileia doos Gentios, gente de raça misturada que ganhava o pão com a pesca, a terra ou uns biscates de tarefas artesanais.

Quando se juntaram a Jesus, não foi pela sua doutrina… não foi como jovens e curiosos aprendizes de um mestre dos conceitos, mas seguiram-no porque aquilo que ele anunciava e a maneira como o fazia tocava em qualquer coisa muito profunda no íntimo de algumas pessoas… essa coisa chamada Esperança.

Não estavam habituados a grandes discursos nem gostariam deles, certamente; mas aqueles que seguiram Jesus ousaram isso por serem sensíveis à sua Convicção! Chamavam-lhe Autoridade e todos percebiam que era coisa que não se via muito nos Doutores da Lei…

Quando continuaram o Movimento de Jesus, pelo Impulso Pascal do Espírito Santo, continuaram-no com o jeito de Jesus. Não se tornaram espantosos palestrantes das coisas sagradas, mas “apanharam o Espírito de Cristo”, e moviam o coração de muitos pela sua Convicção. Essa era também a Autoridade – Única! – da Igreja nascente.

Percebiam que tinham em mãos uma Boa Notícia de Salvação, não uma Doutrina! Viviam para testemunhar a irrupção do Mundo Novo já no meio de nós, a acção de Deus em favor de Jesus e o que isso significa da acção de Deus em favor de todos nós e de toda a Criação.

Tinham sempre presente o que Jesus tinha deixado claro: o Mundo Novo começa à Mesa! O Reino de Deus cheira a comida partilhada!

E guardavam o Testamento recebido na última vez que se tinham sentado à Mesa com ele: “Fazei isto em memória de mim”.

Acreditavam e Experimentavam que Jesus se faz presente e maneira muito visível quando dois ou mais se reúnem em seu Nome e partem o Pão entre si.

A Mesa era o grande sinal da Irmandade que o Espírito de Jesus tinha semeado no mundo, a Mesa era o lugar onde se percebia de maneira nova o Ciclo da Palavra:

Palavra de Deus,

                  Confidência do Seu Coração aberto para nós,

 

Palavra feita Carne,

                  Palavra em forma de Pessoa,

Dizer InCarnado,

Palavra-Vida de Jesus,

Palavra Pessoal ReSuscitada pelo Espírito Santo,

 

Testemunho dos Apóstolos,

                  Surpresa, Confirmação e Convocação,

                  Palavra geradora de Comunidade

onde o Pai Nosso parte connosco o Pão Nosso

pelas mãos da Presença de Jesus,

 

Partir do Pão,

                  Sinal maior da Presença Dinâmica de Jesus,

                  Pessoal e Activa,

Partilhada, Comungável…

 

No Partir do Pão não está Jesus dentro de uma coisa, como se o localizássemos num objecto consagrado. No Partir do Pão está o estilo da Presença de Jesus, aquele em quem vivemos nos movemos e existimos, está o Espírito dessa Presença que é Comunhão e Partilha Fraterna.

E, em Comunidade, o Ciclo da Palavra recomeça sempre, porque é essa a sua Vocação, é para isso que a Comunidade existe!

Os do Movimento de Jesus, depois chamados “cristãos” por terem a “pinta de Cristo”, vivem a irradiante loucura de acreditarem que um homem executado como herege afinal é o Filho Primogénito e cara-chapada do Deus em nome do qual o quiseram mantar; que um crucificado foi constituído por Deus Senhor do Mundo acima de todos os poderes e Juiz definitivo da História; e, como se isto não bastasse, acreditam que têm todas as semanas, logo no Primeiro Dia, Mesa marcada com ele para comerem juntos uma Ceia, porem a conversa em dia e afinarem com ele o Coração e a Mente na tonalidade do Espírito de Deus.

Fazem-no como Memorial da missão de Jesus e como Antecipação do Fim já Cristificado de toda a História. Sentam-se à Mesa a Celebrar a Fé naquele Jesus e na acção salvadora de Deus nele e a Esperança de que o Espírito está a expandir a Páscoa de Jesus até Deus ser tudo em todos, o Criador Feliz de uma obra belamente reFeita.

E, Celebrando assim, entendem a sua vida como Fidelidade a esse Testemunho de Jesus e como Ensaio dessa Esperança no Mundo Novo. Juntos, pedem ao Deus de Jesus que os ajude e os identifique sempre ao Senhor de maneira a que cada Comunidade de Jesus seja um

Sinal visível do Reino de Deus já presente,

uma Possibilidade de pertença libertadora,

uma Casa de Acolhimento curativo,

um Ensaio Comunitário de Irmandade radical,

um fermento de Esperança

e uma maneira de a Com-Provar…

 

No seio de todas as raças, línguas, tempos e culturas, cada Comunidade dos cristãos, os que têm “a pinta de Cristo”, seja uma possibilidade de Encontro Pessoal com Jesus de Nazaré, convivência com o seu Espírito e descoberta agradecida da Paternidade de Deus.

Ao longo de tantas Boas Notícias, o que começámos a perceber foi que não nos estavam a transmitir uma doutrina mas, verdadeiramente, um Espírito e um jeito de viver.

Depois de ouvir tudo, ficamos com a impressão que nos foi apenas aberta uma porta, que o decisivo e verdadeiramente encantador está lá dentro. Aqui, o decisivo deixam de ser as palavras mas a coragem de dar um passo…

À frente está uma Mesa, uma escola saboreada de Irmandade, uma Palavra cheia de Sentido que vence trevas, pecado, medo e morte, e um Pão delicioso, porque já não serve para cada um encher a sua barriga mas para ensinar às mãos, aos olhos e ao coração o Segredo que Salva o Mundo e o Espírito que o conduz até ao Fim sonhado e garantido por Deus!

O tal famoso Banquete já está a ser servido…

Deus guardou-me lugar como um Pai faz para um Filho, o Espírito dá-me Graça e Encanto e veste-me o traje nupcial, e Jesus, o Vivente, é quase tudo nas andanças desta Mesa, desde o Abraço do Anfitrião até ao saboroso Pão da Vida…

 

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