O primeiro boato que apareceu foi que os discípulos do Nazareno famoso que tinha sido executado em Jerusalém uns dias antes se tinham mergulhado em vinho para esquecerem a tristeza do que lhes tinha acontecido e, depois, o vinho os fez ver coisas a mais… Mas logo caiu este boato porque o que estava a acontecer durava mais do que uma bebedeira, e quando falavam destas coisas eles eram enérgicos e lúcidos, como se tivessem visto qualquer coisa que lhes dava toda a autoridade.

Afirmavam que o Mestre estava cheio de Vida, aquele mesmo que centenas de pessoas tinham visto morto na cruz no caminho que passava pelo Monte Gólgota, à saída da capital, por esses dias de Páscoa Judaica. Não estava vivo por artes de magia nem por não ter morrido completamente. Também nunca disseram que Jesus tinha “voltado à vida”, depois de estar morto… Diziam que estava cheio de Vida, mas uma Vida nova, diferente, com uma presença que eles só sabiam testemunhar como uma corporeidade real mas que não sabiam explicar… Como se dissessem, de outras maneiras: “Ele não é evidente no meio de nós… mas é evidente que é ele mesmo que está connosco!”

Diziam que Jesus estava Vivo por decisão e acção poderosa de Deus que não tinha estado de acordo com a morte do seu servo. Afirmavam que Deus tinha agido como um Pai salva um Filho. E a Vida que ele vivia agora era essa mesma Vida de Deus! Jesus tinha sido levantado da morte e vivificado para existir para sempre no Espírito de Deus!

As palavras escorregam sempre para dizer estas coisas, são toscas e pouco firmes, mas aqueles discípulos usavam-nas sem medo. É uma questão de Fé aceitar ou não a Ressurreição de Jesus de Nazaré, mas é inquestionável o milagre que aconteceu na vida daqueles homens e mulheres simples que o seguiam desde a Galileia e estavam em Jerusalém por aqueles dias…

O anúncio deles era uma loucura para todos os judeus que esperavam a Ressurreição “no Último Dia”, como eles diziam, uma poderosa acção salvadora de um Criador Bom que iria restaurar a Vida de toda a Sua Criação… Os discípulos daquele Jesus afirmavam que o Último Dia já tinha despontado naquela manhã do Primeiro Dia da Semana depois de Jesus ter sido colocado a descansar no túmulo! Diziam que estava inaugurada a Plenitude dos Tempos e que Deus já tinha realizado totalmente em Jesus o que tinha prometido fazer em toda a Criação.

Tê-lo feito já plenamente em Jesus era Boa Notícia de Salvação, a certeza de que Deus não estava esquecido das Suas Promessas nem tinha abrandado no zelo pela Finalização do Seu Projecto Criador. Agora, toda a realidade estava a ser atraída a Jesus, constituído por Deus Primogénito dos mortos, Primeiro Fruto de uma Nova Criação e Cabeça de uma Nova Humanidade, até Jesus, na sua existência pascal, ser Tudo em Todos, e Tudo e Todos serem UM nele…

Vinha de longe a Esperança de uma Criação restaurada na Unidade e na Paz, participante da Vida do próprio Criador… Agora, essa Esperança ganhou carne e vida de Homem, a Salvação tornou-se uma inCorporação Pessoal: tomar parte na Relação Pascal de Jesus com Deus, como Filho confirmado, exaltado e glorificado com o Pai.

A Notícia destes discípulos circulava, mas seria apenas mais uma curiosidade se eles não tivessem, por causa dela, escolhido viver como viviam! Era nítido que acreditavam na Presença Activa de Jesus no meio deles e levavam mesmo a sério a Reviravolta Salvadora que Deus tinha introduzido no mundo quando quis ReSuscitar Jesus…

Quando os tentámos procurar para escutar o seu depoimento, fomos encontrar uns quantos em volta de uma Mesa partilhando e louvando o poderoso Deus da Vida. Não havia entre eles judeu nem grego, homem ou mulher, escravo ou homem livre… todas essas distinções tinham desaparecido na Unidade do Único Senhor, ReSuscitado no meio deles, e na Fé num Deus Criador Único Pai de todos.

Perguntámos-lhes porque viviam assim, e um deles respondeu-nos: “Porque Deus ReSuscitou Jesus para estar connosco e transmitiu-nos o seu Espírito!”

 

clicar aqui para escutar o áudio deste Tema


Anexos