Está confirmado! Para dizermos que Deus está a falar connosco, já não precisamos de descrever grandes sinais no céu e nuvens a adensarem-se com trovões pelo meio delas. A voz de Deus, que sempre tinha tido um timbre trovejante e cósmico, agora tem o tom de voz de um Galileu que lhe chamava “Papá”. A presença de Deus, que sempre tinha incorporado estrondosos elementos da natureza, agora ganha o corpo da humaníssima presença daquele Nazareno que sara as feridas dos últimos do seu povo. O olhar de Deus, que ninguém tinha imaginado com olhos mais pequenos do que planetas e estrelas do céu, ganhou luz e brilho na maneira penetrante como esse tal Jesus fixava os que o procuravam e – dizem até – acalmava os mares mais revoltados e as vidas mais endiabradas pela maneira como pousava o olhar sobre todas as coisas…

Ficou famoso este Jesus, Galileu de Nazaré, que bebeu as esperanças maternas dos profetas do seu povo e se apaixonou pelo Espírito que animava o seu amigo João, mas não se contentou com as profecias. Não lhe chegavam… Transformou o grandioso Projecto de Deus num Programa de Vida concreto! A Esperança não podia simplesmente dizer-se em imagens espantosas do futuro, mas em sinais concretos, visíveis e sensíveis. Atraiu o futuro a si e pô-lo ao alcance dos seus amigos. Fez da Esperança uma maneira de viver tão palpável como um pedaço de pão.

Tinha uma atitude tão simples diante de todas as coisas que se tornava quase sempre desafiador. Poucas coisas são mais exigentes do que levar a sério a simplicidade… Por isso, o que nascia desse Jesus tinha o jeito de uma silenciosa revolução, uma mudança das lógicas e dos mandos, a descoberta de uma irmandade tão radical que aos cegos era revelada a Beleza, aos surdos era anunciada a Notícia da Salvação, aos coxos era aberto o Caminho da Vida, aos paralíticos era dada a largueza da Festa, aos presos era proclamada a Liberdade, aos condenados era declarada a Indulgência, aos pobres era posta a Mesa Milagrada da Partilha tornada Abundância e a todos era testemunhada uma Justiça tão de Deus que significava Nascer de Novo para viver num Reino governado por um Deus Bom e Feliz com a Vida dos Seus filhos.

Uma silenciosa revolução… fundada na profissão de Fé num Deus-Pai de todos e em nome do qual Jesus achava que todos os seres humanos são verdadeiros irmãos e iguais. Como se fosse assim tão simples!!!

O problema deste Jesus – muitos lho tentaram dizer – foi ser muito exagerado. A sua linguagem era uma ousadia que andava entre a cordialidade infantil e o abuso herético… Os seus gestos eram excessivos… e caía vezes demais na tentação de transformar bons sentimentos e boas intenções em escolhas que punham em causa a ordem estabelecida das coisas. Existia demais! É que as boas acções só são boas – é senso comum! – enquanto estiverem enquadradas no sistema que diz quais são as boas e quais são as más. As acções exageradas são sempre uma dor de cabeça para quem mede a vida segundo as tabelas dos sistemas.

Muitos o seguiram, a este Jesus, atraídos pela imensa autoridade que vinha dele. E os mais corajosos sentiram bem a força libertadora que vinha dele, depois de passarem pela tormenta do desconcerto… Dizia-se à boca pequena – mas este rumor já deu a volta à terra – que ninguém se fiou deste homem que não tenha jurado que valeu a pena! Transformou o grandioso Projecto de Deus num Programa de Vida concreto e, surpresa das surpresas, partilhou-o connosco! São muitas as testemunhas que confirmam que era Deus mesmo quem falava nele e realizava todas as coisas. E houve quem o dissesse assim: “Encontrei-me com Jesus de Nazaré e percebi que Deus falava comigo de Homem para Homem…”

 

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