O nosso Deus é um Deus de Palavra que não des-diz nem des-faz nenhuma das Promessas do Seu Amor por nós. A Sua Vontade a nosso respeito é um Projecto de Comunhão de Vida, Comunhão de Bens e… Comunhão nos males! Deus não desiste de nós, não nos volta as costas nem nos deixa sozinhos a lidar com o nosso Pecado. Porque o nosso Pecado é a desumanidade de Filhos Seus!!! O nosso Pecado é a Doença mais profunda da menina dos Seus olhos, é uma febre que arde no Seu próprio Coração e Lhe revolve as entranhas.. Deus importa-se connosco até ao ponto de sofrer por nós, de Lhe doermos…

Somos o maior desafio de Deus! No que Ele Se mete quando Se mete connosco… “No Princípio” Deus correu o risco de nos criar para sermos Pessoas, seres famintos de Liberdade e Novidade. Este tem sido o trajecto das maiores Alegrias de Deus connosco e o descaminho das Suas mais maternais dores de parto por causa de nós… Deus correu o risco de levar mesmo a sério o Seu Amor por nós! E tornámo-nos o Seu maior desafio, e obrigámos o nosso Deus a aprender algumas coisas que, normalmente, as divindades de quem se fala não costumam conhecer. Entre elas, o PERDÃO, infinito e sem condições; e a PACIÊNCIA, imensa, aquela coragem de esperar de alguém que é forte e, no fundo, não é senão a doçura de quem já se treinou a cuidar filhos rebeldes… Deus corre connosco o risco da Confiança, mas assume também a consequência máxima de nos amar: PERMANECER.

A matemática do Amor faz sempre do Perdão uma Desproporção, uma afronta à lógica da justiça feita de méritos e castigos. O Perdão é a loucura do agredido que dá a outra face. Deus tem essa loucura! O Perdão é a loucura de caminhar duas milhas por opção com aquele que nos quis violentar para caminharmos consigo uma. Deus tem essa loucura! O Perdão é a loucura de multiplicar as 7 vezes que nós conseguimos aguentar-nos pelas 70 outras que Jesus diz que ainda são possíveis. Deus tem essa loucura! Esquecemo-nos vezes demais que a loucura desta Justiça segundo o Reino de Deus não é “a Justiça que Deus manda”, mas a Justiça que Deus usa! Tão habituados a um Deus que está sempre a “dizer isto e aquilo”, entre “o que temos que e o que devemos”, até ficamos admirados ao perceber que Deus diz-Se a Si mesmo, revela-Se no que revela, conta coisas de Si como um Pai que começa a confiar os seus próprios segredos ao filho que vê já crescido… E já que falamos em filhos crescidos do nosso Deus, voltemos àquele Jesus de Nazaré… Percebeu e revelou como ninguém o abismo que vai entre o Pecador e o seu Pecado, e como não há outra maneira de acabar com o Pecado senão começar sempre de novo com o Pecador. Cara-chapada do Pai, Jesus não tinha jeito nenhum para “mandamentos”… Da única vez que tentou, saiu-lhe – com toda a solenidade! – uma daquelas poucas coisas que não se podem mandar: “É este o meu mandamento: AMAI-VOS uns aos outros como eu vos amei!” O único “mandamento” da Nova Aliança do Deus-Connosco é aquilo que não é “mandatável”: amar. E, ainda por cima, um amor à medida de Jesus, que vai além – e muitas vezes contra – de todo o mandamento e toda a norma e todo o preceito de Lei: “como eu…” Oh Gloriosa Liberdade dos Filhos de Deus, e arriscada ousadia, metermo-nos por um Amor assim… Deus não desiste de nós, e atrevo-me a dizer outra vez que “Deus aprendeu” a fazer-nos à Sua maneira… Deus aprendeu que não vamos lá por “dever” mas por “perdão”. Só o Amor nos leva onde tudo o resto não chega! Não vamos lá com leis escritas para nós em tábuas, pedras ou livros. Por isso, Deus anulou a antiga Lei, porque não só não conseguia perdoar-nos o Pecado, como ainda o multiplicava! Nem salvava os Pecadores mas denunciava-os! A “Lei Nova” não é feita de prescrições e mandamentos e não está escrita fora de nós, mas é uma lei inscrita nos nossos corações, com a caligrafia do Espírito Santo e a Sabedoria de Jesus.

Todos os “mestres em religião” costumam estar convencidos de que o “deus” em que acreditam é mais pequeno dos que os Pecados que nós conseguimos cometer… os nossos Pecados põem em pânico os “deusesitos” deles. Por isso se escandalizam com os Profetas de todos os tempos e assassinam sempre que for preciso aquele Jesus amigo de Pecadores, arrastando-o para fora dos muros sagrados das suas cidades santas, onde puseram no trono de um Templo um Ídolo à imagem e semelhança dos que o adoram. Chamam-lhe “Deus”, mas é pequeníssimo, escandalizadiço, sem Graça, sem Encanto, sem Amor suficiente para lidar connosco e nos defender do nosso Pecado, nem Humor que nos reconquiste e reanime nas horas das nossas travessuras… MAS DEUS é Grande e Amoroso! Gratuito, Gracioso, Bem-Disposto para nós, Humilde, Sereno… Abba… Imma… Papá… Mamã… Quem sabe mesmo destas coisas é Jesus, o da terra dos Pagãos, que, um dia, foi ouvido a contar uma história que começava assim: “Era uma vez um Pai que tinha dois filhos”…

 

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